Sopa de letrinhas

Sopa de letrinhas

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Me sendo

O tanto que amo ser outra
É o que me faz ser tantas.
Tantas outras me atraem
Que temo ser uma só.
Às vezes um tanto me espanta
Essa mutabilidade insana,
Esse troca-troca de persona:
Sinto Eu reduzido a pó.
Mas o ego se engana -
Quanto mais eu vivo outras,
Tanto me sou melhor.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Zé Fini e Dona Start

Essa coisa de fim e início...
Todo fim é início.
Morre aquilo, nasce isso.
Só nasce a noite se morre o dia.
Quando morre, angustia.
Se tem angústia, lá vem poesia.
Se a poesia é esquecida,
Que se finde a partida
Pra alguma coisa germinar.
Zé Fini existe pra Dona Star(t) brilhar.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Promessa

Posso me achar um nada;
Posso nem me achar.
Posso me achar doida desvairada.
Posso só achar.
Posso crer que aqui não há talento,
Tampouco brilho no olhar,
Tampouco elevação do pensar,
Tampouco beleza de arrasar.
Posso digerir as mentiras que me falam
E cagar a verdade que me guia:
Nunca, jamais, - ninguém me cala!
Vou abandonar a poesia.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

de perto

de perto todo mundo é
equilibrista amador.
de perto todo mundo bambeia
na corda e
acorda feio e faz amor.

de perto todo mundo tenta ficar
de pé.
de pé aperta
o sapato,
de perto ninguém é exato,
de perto se é o que É.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Tudo do Todo que a gente é

A gente é tanto
Que é um só.
É o tato,
o cheiro,
o olhar menor.

Mas inteiro.

Tu do Todo que a gente é:
Tu é To do Eu,
Eu sou Toda Tu.
Todos e tolos, 
Dois e Um! 

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Lá pelas tantas...

Se a inquietude insiste em ficar,
É hora de palavrear.

Não há assunto, mas há desejo.
E de bocejo em bocejo,
Vou traduzindo em versos
Os pensamentos diversos
Que não me deixam dormir.

Reviro a falta de ti
Que ultrapassa a madrugada.
Só agora percebi
Que tô mal acostumada?

Exponho Tudo por aqui:
Nada.
Mas pronto:
Agora durmo sossegada!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Quando eu apago

Quando eu apago
Mais ainda me apego -
Sonho contigo.
Respiro e te trago,
Te tenho comigo:
Revivo o afago
E o choro contido
Do último abraço.

Quando eu apago
Mais ainda me enlaço,
Menos ainda te esqueço.
E no fim desse embaraço 
Entre sonho e realidade
Não sei se vivo a saudade
Ou se adormeço.

Fetos da Nova Era

Será o intenso demais 
Ou é tempo de menos?
Estaremos atrás
De uma terra em Vênus?

Acalma, Mundo!
Lá fora e aqui dentro.
Cuidemos de cada segundo;
Busquemos sedentos
Uma energia segunda.

O que se entende por fim
É na verdade o início:
Renovação.
Faz-se preciso abrir mão
Daquele velho princípio...
E, principalmente,
Saber que somos o indício
De uma nova visão.
Somos fetos de uma nova Era,
Re-feitos com outra alma,
Mente e coração!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Versinhos da Saudade

E nesse vai e volta
nesse leva e traz
a falta que ele faz
só tem uma resposta:
é amor por demais.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Cara nua

O preço da Verdade
Da pura transparência
Tem o valor da coragem
De despir tua essência

A verdade é que a Verdade te sai cara.
Cara nua é coisa muito rara.
És rico pra assumir o que pensas
Ou o que pensam é coisa que te mascara?

segunda-feira, 18 de julho de 2011

DúVida

Se sou eu-múltiplo,
Quem eu tô?
Qual dos Eus –
Zeus, Dionísio? –
Sou toda um breu
Do fim ao início.

Se Deus é vida
E a vida é bela –
Bella? –
Me encontro na fé.

Se Deus é fé,
A fé oscila?
A fé duVida?
Deus é dúvida –
a mesma –
Que a Bella é.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Dádiva

Ahhh! Vida bem-vinda que veio sem avisar...
Vitória!
Prova de que é inútil controlar
Os caminhos da nossa história.
Quase tinha te esquecido...
Duvidas que já consigo te amar
Sem ao menos ter nascido?

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Boa-moça-radical

Transito entre a pista
E a calçada do Rosas.
Calçada de patins,
Sou toda poderosa.
Transito entre os cachorros e velhinhos,
Cumprimento os vizinhos:
Sou uma boa-moça-radical.
Paro no sinal:
Transito entre um Killers, 
Um Ramones e um Donnas.
No meio do Rosas,
Meu meião rosa
Nem é cafona.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

JI

Em que ponto em mim
Eu te procuro?
Até que ponto em ti
Eu me misturo?
Busco intuitivamente
A homogeneidade de nós dois:
Um encontro rio-mar.
Ou, então, simplesmente,
Um feijão com arroz.
Me deparo com a dificuldade
De não pensar no depois.
Deixa que a mistura se dá...
Enquanto a gente se doa.
E que essa entrega não doa,
Apesar de tudo que destoa:
Ora vivo, ora sonho;
Ora me vendo, ora me imponho.
Ora te entendo,
Ora me estendo,
Ora me dobro
E te desejo.
Ora me cuido,
Ora te protejo.
Ora nem te vejo...
Ora me escuto,
Ora me cego
E digo "sim".
Mas não nego:
Eu já te carrego
Aqui dentro de mim.

sábado, 4 de junho de 2011

Só na mente

Lacrimedei:
Uma lágrima de medo caiu.
Viu??
Não faço uso da minha lei.

Só na mente se dá o meu mantra;
Somente chorando se canta.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Atravessada

Aconteceu.
Você -
Sem pressa;
Eu -
Sem graça.
Você:
- Tô nessa.
Eu:
- Já passa.
Aconteceu.
Meio atravessado,
Meio embaraçado,
Mas vivo.
Vivo porque não meu,
Nem seu,
Apenas do encontro que se deu.
Mas quando foi que isso...
Shhh!!!
O tempo é nosso.
Acontece que não posso...
Aconteceu.
Eu -
Tão incrédula,
Tão pedante, -
Quis conhecer cada célula
Desse Cavaleiro Errante.
E mesmo assim,
Não é o bastante...
Aconteceu!
Apesar dos "apesares"
E do medo no semblante.
Aconteceu...
E acontece!
Germina, nasce, cresce...
A cada instante.
E que nunca cesse
Esse movimento
De alimento constante.
E que atravesse
Qualquer receio, qualquer estrada...
Porque eu sou toda
Atravessada.

domingo, 29 de maio de 2011

Duelo

E agora
Que já derramou o meu pranto,
Que já incendiou o meu santo,
Se dá por satisfeito?
Que não seja defeito
Viver na dualidade
Do querer e do temer.
E que todo dito e todo feito
Sejam filhos da Verdade.
Agora Você -
Que jogou com habilidade,
Que dilacerou os fins e os meios -
Me diz se é feio
Sentir saudade.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Tanto Quanto Tudo!

Leio,
Releio,
Não me canso...

Sinto,
Anseio,
Me lanço.
Me freio?
No momento em que veio...
Virei criança!

Estudo,
Tento...
Não entendo.
És Tudo -
me rendo.

E o que desejo
Já não meço:
Ou explode em beijo,
Ou explode em verso.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Shhh...

Shhh...
Não conta o encanto!
Respeita a brincadeira.
Porque uma coisa é verdadeira:

O que te traz pra perto
É o que te faz distante.
Quero a alma mergulhada no incerto
E o coração de um Cavaleiro Errante.

Na medida

Enche tudo até o topo
Preenche com o ar do novo.
Eu, devota do Agora,
Entendo o jogo:
Se não transborda, evapora.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Isso: aquilo que É

Se o sorriso permite,
É feito o convite:
O olhar.
Agora o Algo existe:
É vital.

Se é pra eu ir,
Já tô presente:
Me permito.
A vontade é latente:
O instante, infinito.

E a magia que se cria
É pela Vida que Isso tem.
E Isso é pura fantasia:
É aquilo que convém.

Mas É. Se é, tá evidente -
Não é preciso fazer nada:
Já tá aqui, já tá ali
Tá por dentro e tá envolvente.
Quando eu for, já tô presente:
Digo "sim" ao olhar
Ao sorriso e às palavras.
Palavras que são
Sedutores presentes.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Regorgitofagia

O “conforme o combinado” não combina mais comigo.
O disforme ou deformado já não é mais inimigo.

Que perfeição, que nada!
Ideia de beleza mais quadrada.
Cansei do retoregularformalbonitinho.

Quero me esfregar na sujeira da calçada
Na lambança do humano
Quero o cheiro suburbano
E a carne mal passada.
Quero o visceral quase profano
E a lucidez embriagada.
Quero a ação despudorada,
a forma mais ousada,
a linha entortada,
a nojeira instalada,

a coisa desconfigurada.
Quero a impureza misturada
E a vida improvisada.
Quero vida! Vida no limite da vida -
intensa, insana e enfeiada.
Quero a merda pra poder fertilizar...

E, assim, encontrar,
Na foto embaçada
Na voz desafinada
Na poesia mal rimada
O belo...
A arte enraizada!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Pose

Minto que não vejo,
Omito o que desejo:
Adoro um falso alarme
Só pra fazer um charme...

Se te mostro ser razão,
É que controlo a situação.
Meu tom é duvidoso e fino
E tu te tornas um menino.

Atenta ao que me motiva,
Sou sagaz e implosiva.
Faço gosto do mistério.
Meu faz de conta é super sério.

É nesse joguinho instigante
Que há paixão irradiante.
E se achas que sou madura,
Tu és tolice pura:

Sou uma criança malvada!
O resto todo é só fachada.
Te confundo por querer
Só pra ficar no poder...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Felicidade

Quando me vejo neste universo
De devoção à vida
Me entrego a cada verso;
Não há palavra medida.

Eu utilizo esse lugar
Pra transbordar alegria
Pra mostrar o que é que há
Por detrás da poesia.

Considero a felicidade,
Esse amor à existência,
O real contato com Deus.

Porque a gratidão me invade
E passo a ter a consciência
Do Tudo que Ele me deu.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Carpe Diem grudou em mim

Deixo um pouco de lado a minha rotina, minha correria, minhas obrigações de pequeno e grande porte e paro pra escrever. Paro por questão de necessidade: o corpomente grita. Precisava registrar, agora mais do que nunca, o quão mexida eu tenho ficado nesses últimos dias com essa história de "fim do mundo".

Primeiro, é o terremoto no Japão. Aí começo a ter uns sonhos esquisitos. Vou comer um ingênuo cone com as amigas da faculdade e o assunto acaba em 2012. Ligo a TV e acompanho o crime de um maluco-esquizofrênico-demoníaco que matou crianças numa escola da minha cidade. Aí volto a ter sonhos esquisitos. E tudo isso misturado com aulas que falam, principalmente, de TRANSFORMAÇÃO. Aí eu reflito. Penso no que o professor acabou de ler sobre "a astrologia e as mudanças" e twitto: "Sou transformada junto e sincronizadamente com as transformações do mundo."

Se mexe, Isabella! Algo de muito doido está acontecendo. Algo de muito torto está entortando cada vez mais. Será que é verdade? Será que eu acredito? Se é verdade ou não, o fato é que essas teorias de que o mundo vai acabar (gradativa ou repentinamente), ou vai passar por uma transformação tão bruta que resultará numa nova organização humana, ou vai chegar ao fundo do poço mas será salvo por um novo messias - todas essas que a gente ouve falar - refletem as nossas próprias transformações. Talvez, lá no fundo, tenhamos um desejo enorme de renovação porque sabemos, às vezes inconscientemente, que ela se faz necessária. Estamos vendo que desse jeito não fica, não dá pra ficar. E parece que a natureza só comprova isso, com frequencia cada vez maior.

Eu mesma não sei se acredito, não sei no que acredito, mas entendo porque deveria acreditar: porque eu mudo junto com o mundo. Suas transformações me induzem a pensar diferente. E é nesse "pensar diferente" que eu me desafio e me ponho viva: emburaquei ainda mais na filosofia Carpe Diem; vivo um dia de cada vez (vai que o mundo acaba amanhã?); procuro, muito mais perseverantemente do que antes, fazer coisas que realmente me dão prazer. Brigo, me revolto, enfrento, ligo o foda-se. Tenho vontade de AGIR.

E é por isso que eu tô me deixando ser tocada, de alguma forma, por tais teorias. Se você acha que elas vão te despertar um enorme pavor, uma depressão perversa e você não vai nem conseguir sair de casa, ignore-as completamente. Mas se elas te colocam num lugar de contestação e curiosidade, apegue-se a elas. E sorria ao perceber que você tá amadurecendo, tá sendo transformado - junto com o mundo.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Poema brega de um alguém solitário

Eis que ela aparece: a solidão
Arrebenta a corda do meu violão
Arranca a alegria do meu coração.
A solidão não é fraca não...
a solidão não é um nada.
Ela simplesmente entra pela sacada
e se faz camaleão.
Se camufla na foto revirada,
no papel rasgado,
no travesseiro e no colchão.
Ela invade você, então
E te acompanha pelo salão
O salão do aeroporto
e senta do seu lado, no avião.
E depois, meu irmão...
É difícil ela te deixar.
Olha...
eu acho que ela não te deixa, não.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Eu

E o mais fascinante
É perceber que a cada instante
Me torno um alguém.
E, por isso, não tenho a ousadia
De dizer que eu viria
A ser algo finito:
Eu ESTOU. Eu transito
Entre as mais variadas cores
E amo
Os vários tipos de amores.
Não sei do que gosto, mas sei o que quero
Respondo pelo agora e não pelo depois.
Esvazio, escuto, estudo, espero...



Acho que não me acho.
Ou talvez eu ache demais.