Sopa de letrinhas

Sopa de letrinhas

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Mais uma de amor

Há um momento em que eu te olho
E te vejo outro:
Transmutou-te. Louco.
Teus olhos brilham mais;
Admiro tudo que te faz.
Me percebo incapaz
De não beijar-te.
Esta é a melhor parte:
O momento em que te olho
E vejo obra de arte.
Acho esquisito,
Tento entender.
Me apresso a escrever,
Mesmo sem sentido.
Teus créditos comigo
São inacreditáveis:
Infinitos, incontáveis.
Há um momento em que eu te olho
E vejo que são prováveis
As histórias de amor.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Sub-linhando

Queria te escrever a mais bonita;
Poesia com laço de fita
E tudo o que - não só tens direito -
Mereces.
E aí a palavra carece:
Fico muda, e vivo.
Muda e viva
e tudo é tão fantástico
Espetacular
Escandaloso e belíssimo
Que te tornas ainda mais digníssimo
Do melhor versear.
Emudeço novamente.
E ainda com o desejo latente,
Deixo de lado.
Não é preciso sub-linhar
O que já tá consumado.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Dionísio

Dionísio apareceu pra mim.

De natureza errante,
Me surge num rompante:
Surpresa boa e maluca.
Fala bem e escuta,
Não é mau mas não é bobo:
Humano.
Deus ariano
Que brotou na minha horta.
“Vê se desentorta!”, eu disse.
Ele riu da minha caretice.
Me mostrou o mar e a malícia
Sob ondas de calor e delícia.
Nos encontramos na intensidade,
Nos entendemos nela.
E como numa realidade paralela,
O tempo perdeu sua verdade.
Será sonho?
Uma visita?
Ele vai embora?
Não quero acordar agora...

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Carta aliviatória

Isso aqui eu já previa.
Esse documento-poesia,
Essa carta aliviatória -
que, se não me falhe a memória, -
No vazio se cria.

Vazia.

Tem um buraco no meu lugar.
Sinto a sua falta e a minha.
Coração que fazia guiar
Já nem sei por onde caminha

E o pior é que eu sei:
Não há poema que eu faça,
Não há cachaça,
Nem choro baixinho
Ou conselho de fora
Que cure essa dor agora.
Não agora...

terça-feira, 10 de junho de 2014

Revolta

Às vezes a arte me oprime,
Me deprime.
Hoje mesmo eu acordei de mal com ela.
O que me faz artista?
Nada.
Não sou artista porra nenhuma; qualquer um pode fazer o que eu faço.
Eu sou um fracasso.
Não há nada de especial no meu "pedaço".
Se não existe certo e errado
É certo que eu erro e o certo é indeterminado:
É loteria.
Se ao menos ainda me desse alegria...
É pra isso que me serve a arte?
Pra me lembrar que eu sou um fracasso?
Cansei desse negócio.
Vou procurar alguma coisa que faça eu me sentir potente;
Alguma coisa que eu estude e me aumente.
Quanto mais eu estudo a arte,
Mais me sinto incompetente.
Quanto mais eu faço arte
- ou penso que faço -,
Mais me sinto insana.
O que me faz artista?
Qualquer coisa; tudo.
Tudo que me faz humana.

sábado, 19 de abril de 2014

Sobre as nuvens

No decolar de duas saudades - uma que fica e outra que vai,
o ponto máximo de um vazio: o avião.
Sobre as nuvens,
viajo em palavras com a mão.
O bloco de papel
e a verdade do céu
amenizam a solidão.
Sinto falta mas falta pouco.
Sentindo alta nesse mundo oco,
Me desmancho em letras e lancho versos que deslancham:
Eis a poesia.

Se ela continua?
Somente se a mente esvazia.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Sem receio, verseio:

Não me intimido
Se a palavra me falta.
A Deus peço - e meço
O imedível em pauta:
Amor.
Que irradia o corpo,
Que se lê no olhar,
Que arrepia a alma.
Eu, sem medo,
Sem medida,
Escrevo.
Porque não cabe em mim aquela Vida.
É por isso que me atrevo.


domingo, 2 de fevereiro de 2014

Papeis

Meu negócio é com os papeis:
de Selminha a Afrodite;
ele próprio, o sulfite.

É preciso entrar em ação.
A palavra me usa,
Bombeia o coração:
Pulsa.
É preciso escrever.
Se acumulo descobertas,
É preciso escrever.
Pode ser a alegria
Tomando conta do punho -
Já virou rascunho.
E se aqui dentro é dilema,
Aqui fora, poema.

Aí eu respiro fundo... ahhhh!!
Aliviada.
Cada criatura dessa
É uma puta de uma gozada.