Sopa de letrinhas

Sopa de letrinhas

domingo, 8 de novembro de 2015

Implosão

Meu coração palpita,
Alguma coisa aqui grita.
É tanto querer que se esvai,
É tanta palavra bonita...
Pra pouca alma que fica.

Sigo firmando meu sonho
E a ele mesmo me oponho.
Tão dual...
Que cruel!
Na realidade me ponho.

Amarro a garganta,
Choro baixinho.
Nada me espanta.
Estou mesmo sozinho.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Sê inteiro

Nessa vida que me pulsa,
Nesse pulso que me corta:
O que realmente importa?

Se tudo que vai, volta,
O que realmente importa?
Bons livros? Vôos livres?
Uma frase torta?

Nada importa. E tudo vale.
Só não vale
Amar pela metade.
Gritar pela metade.
Escolher pela metade
A tua felicidade.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Lua cheia

A lua cheia remoeu meus desejos.
Roeu nossas virtudes,
Destruiu o meu sono.
Só penso em abandono,
Corações partidos
e coisas do tipo.

E a lua não me deixa em paz:
Do alto, feroz,
Ateia fogo na gente -
Tu, que não precisas de nada que te esquente! -
Nessa noite fria.
Eu, malemolente,
Rastejando entre lençóis -
Carente -,
Me pergunto se é mesmo o amor
Que se faz presente.

Lua cheia me enche até a boca
Do vazio dos sonhos;
De uma fé oca.
Essa lua em peixes não esvazia:
Revira e vira a minha alma,
que grita poesia.

E se acalma.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Eu te amo

De elemento a alimento,
Tô cansada de migrar.
Do fogo pra água,
Da terra pro ar.

Me quero cheia,
Mas não transbordando.
Quero me ver bordando
O teu nome no céu:
Devagar,
No cenário da paz.
Me quero intensa,
Mas não fugaz.

Quero dizer "eu te amo"
De boca cheia
E sem nenhum medo
De esvaziar.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A teia

Um emaranhado de "sentires" que me prendem numa teia:
Ateia fogo, Paixão!
É que nem doce na veia,
Mas dói mais que injeção.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Entre

Me alimento diariamente dos "entres".

Entre o conforto e o confronto,
Entre o adeus e o encontro,
A incerteza.
E o medo -
que vem depois, de sobremesa.

E os pesadelos de plantão,
As horas extras na madruga
Mostram que não tem choro nem vela;
E nem ponto de fuga.