Sopa de letrinhas

Sopa de letrinhas

domingo, 15 de dezembro de 2013

Vortex


Me fechei num feixe
- sem luz.
E pintei um olho de peixe
Como sobra de poesia.
Nada me fazia
Querer borboletas,
Nem rosas, nem violetas.
Escolhi um olho de peixe
- um infinito aberto -
Assim, feio e frio,
Que pra mim era o certo.

O problema é que o peixe
Chamou o mar inteiro
Incluindo um barco e um marinheiro
Que me levou prum vortex.
Deixei minha concha na areia
E lá fui eu de novo...imbuída de encanto!
Boba e careta...
Comigo, a falta de borboleta
É apenas um “por enquanto”.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Pequena nota(vel)

A gente é nada sozinho.
A gente existe porque outra gente existe.
Essência não existe.
Nem o mais autêntico resiste.
A gente esponja,
Reflete,
Imita.
O momento é quem dita.
Apenas não sou
Quando não tô presente.
Sou Maria-ser-com-o-Outro,
E, por isso,
Tão carente...

domingo, 16 de junho de 2013

Renascendo outra vez - epifanias em algum (bom) lugar da curva

Quando há vida pela frente -
e a vida vivida ausente,
Há Vida presente. Vívida!
Fresca, pura, cheia, tola...
E quanto mais se suga a vida,
Mais Vida ela te toma.
Subtraindo a juventude,
Vida à vida não se soma.
Consumimos Vida
E a vida nos consome - 
que prejuízo!
Como faz pra ganhar juízo
E não perder a fome?

domingo, 24 de março de 2013

Curto-circuito



Deu curto-circuito.

Tudo porque aqui dentro
É uma briga constante

Entre o apolíneo e o dionisíaco.
Entre a preguiça e a vontade.
Entre o só e a saudade.
Entre o orgulho ferido e o desejo implorado.
Entre o drama bem feito e o choro guardado.
Entre o atrevimento e o medo.
Entre o tempo esgotado e o ainda é cedo.
Entre o simples e o rebuscado.
Entre a mente que grita e o corpo cansado.

E quando o duelo acontece se eleva ao quadrado:
O domingo-chuvoso-depressivo de outono,
A fala errada,
A falta de colo,
A falta do ninho,
A falta da niña,
A falta do niño,
A falta do pão-pra-manhã.
Sei que nunca fui sã,
Mas deu curto-circuito!

Tudo isso aqui escrito
Vai direto pro divã.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Vinho derramado

Tarde da noite, reparo numa mancha escura no tapete do meu quarto.
Agora é tarde pra chorar o vinho derramado...

Já é quase meia-noite.
Ao invés do telefone,
Pego o papel
E digo ao mundo
O que você queria ouvir.
Mas não te conto.
Conto pra mim mesma
As vezes em que você esteve
No lugar que estou agora.
É tarde
Pra dizer que a vida dá voltas,
Pra voltar na curva da volta
E pra ouvir de mim mesma
O que eu não ouvi de você.
Agora é tarde:
Você já tá dormindo
E, eu,
Ainda sonhando.
Agora é
Meia noite e tanto:
Meia lua no céu
E um mar inteiro de pranto.
Agora é tarde
Pras ações desmedidas,
Pras minhas desculpas despidas
E até pras despedidas.
Só digo adeus às poesias
Que um dia foram minhas
- as tuas - 
Que contavam ao mundo
Tudo que eu jamais ouvira.
Vou contando as poesias
E catando a alegria
Que você derramou no chão
Como fez com aquele vinho bom
No tapete do meu quarto.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Uma capricorniana adverte:

Navegar é preciso –
com parcimônia.

Há de sonhar olhando o que há.

E qualquer louca projeção
Pode ser fatal.
Que a tristeza nada mais é senão
A frustração de um ideal.