Sopa de letrinhas

Sopa de letrinhas

domingo, 15 de julho de 2018

Poder

Plena: esse é o plano.
O Agora é a Lei
E eu sou o Sol.
Eu dito as regras
Mas vivo sem.
Desejo o Novo,
Emano o bem.

Eu deusa
Eu poeta
Eu várias
Na solidão

Eu lúcida
Eu lúdica
Eu dona
Da revolução

Da força que tem em mim
Você não tem noção

quarta-feira, 20 de junho de 2018

27

Sapiente Saturno,
Estou dançando em seus anéis,
Bailando em suas curvas.
Ouvindo em muitos decibéis
As verdades sobre a vida

Amigo Saturno,
Sempre fostes um aliado.
Temos intimidade profunda.
Agora te vejo distantanciado
Me dando ordens de um pai

Severo Saturno,
Ainda dá tempo de errar?
De me perder no caminho
E depois voltar?

Infeliz Saturno,
Por que tás tão cruel?
Me arrancas de mim sem piedade,
Vou assumindo um novo papel -
Na marra, na agonia, na dor.

Sei que um dia hei de ser grata
Mas por favor não mais maltrata
Essa alma-flauta-doce de amor...

segunda-feira, 12 de março de 2018

O amor é uma árvore do cerrado.

O amor é tortuoso
É estranho, embaraçoso
Não é limpo-lustroso
Nem polido-brilhante.
Não reluz igual diamante:
É muitas vezes cavernoso
E tantas outras irritante.
E se a gente se encontrar
No não-ser que o amor é?
A gente enxerga como der
A beleza que ele tem.
O amor mesmo dá seu jeito:
Com a gente junto ele fica lindo,
Ainda que tão imperfeito.

Um a mais

Enquanto eu grito
- em pensamento -
E você não me ouve
Vou gastando meu tormento
Nesses versos-pra-ninguém

É meu poema-pra-nada:
Chega a lugar nenhum,
Cheira a alma lavada

Serve pra coisa nenhuma,
Desperdício de rimada.

É só pra eu não esquecer
Que eu sou a própria poesia
E você nunca enxergou isso.

Te convidei pra minha travessia
- e insisti pra que ficasse -
Você não quis.

Só vejo covardia nas palavras que me diz.

Atravesso a travessia
- que quase nunca foi só minha -
Agora sozinha,

Entre os carros e os sinais.
E aí percebo que você
Foi apenas um a mais.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

As (m)águas de fevereiro

As águas de março se anteciparam
Como (m)águas de fevereiro:
Lavando, arrancando tudo
Inclusive a alegria do peito

Minha alma é triste agora
E Agora'é coisa que apavora:
Ou me levas pro Passado,
Ou pro Futuro afora.

As dores dessas águas
Um dia valerão:
Farão brotar sementes novas
Neste tolo coração.

Sei que quero o sol brilhante
Secando as águas do meu rosto.
Quero amar com pura entrega,
Quero viver nenhum desgosto.

Baby, I need a Time Machine

Alguém me tira dessa caixa
- sufocante prisão do Agora -
Me leva embora pro Antes
Porque o coração chora
De arrependimento e dor.
Alguém me dá uma máquina
Que volta e apaga
Que vem e te alaga
De lucidez e amor.
Alguém diz que tá tudo bem
Que errar me dá um vintém
De aprendizado e sabedoria.
Mas por que desse jeito,
Tendo ódio do já feito?
Alguém me dá uma poção
Pra torná-lo desfeito?
Quero a volta no Passado
E consertar o passo errado
Que me trouxe até aqui.
Alguém me leva pro Depois
Que essa parte eu não entendi:
Algo ainda faz sentido?
Ainda dá pra eu ser feliz?

Adubo

Joga a merda no ar
No chão, na cara do amor
Na porra do ventilador
Joga que vai ser bom
A merda no chão aduba...
Não pensa nem estuda,
Só joga, vai!
Joga pra cima e pro lado
Limpa a sujeira do telhado
Tira a merda toda
Se alguém repara, que se foda!
A merda no chão floresce...
Joga a merda e esquece!
O que jogou tá jogado
Não chora pelo estrume derramado.
Espera o jardim acontecer...
Se prepara prum outro amanhecer
Onde outras merdas virão
E um dia adubarão
O novo terreno do seu ser!

sábado, 21 de outubro de 2017

Ego

Eu
No centro das luzes
Procurando a minha
Através da sua
Como uma lanterna
Que ilumina o dentro

Eu
No centro do mundo
No cerne do assunto
Na descoberta mais íntima
E ela é só minha

Eu
O farol-guia
O ponto final
Ou a decisão da vírgula
A frase mais torta
E mais perfeita

Eu
Te uso pra me achar
Te tenho como espelho
Ando na sua rota
Pra cair na minha
Mas não, não é você.
Desculpa a honestidade.
Sou eu.

Eu
Que irradio o Nada
Eu sou a parada
E a ininterrupção.
Loopings e loopings de mim:
Círculos confusos
Da identidade

Eu:
A importância e a irrelevância,
A arrogância e a ignorância
Sobre mim mesma.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Grude

Tô louca pra fazer
Uns versos pra você
Que já virou meu universo
Já descobriu o meu inverso
Que já é as coisas que leio 
E faz parte das que anseio
Que já é a minha playlist
E a pessoa mais legal que existe.
Nossos astros se cruzaram
E eu nunca mais fiquei triste!
Tô louca pra dizer -
se me permite -
Que o meu coração já insiste
Em escrever pra você -
mais e mais e mais!
Agora ature minha cafonice.
Nem adianta voltar atrás.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

A flor do frio

As faltas, o frio
As falhas e o vazio
A desistência
A consciência
A ausência de magia.
O meu coração trancado
O seu coração culpado
O aumento da agonia.
Saudade ou nostalgia?

Tudo me acelera
Me anseia
Me entristece

E na espera
A poesia
Floresce.