Sopa de letrinhas

Sopa de letrinhas

domingo, 25 de março de 2018

Amor e(m) verso

Hoje eu tô porosa...
Toda prosa de poema.
Vou fazer disso o meu lema;
Sempre um brinde à poesia
Que há dentro e vejo fora,
Mas nem sempre todo dia.
A poesia e o amor
Vêm e vão...
Que não morra o seu clamor,
Porque sempre voltarão.
Pra minha alma tão líquida
Só peço amor e(m) verso:
A dor inversa
Quando há despedida.

segunda-feira, 12 de março de 2018

O amor é uma árvore do cerrado.

O amor é tortuoso
É estranho, embaraçoso
Não é limpo-lustroso
Nem polido-brilhante.
Não reluz igual diamante:
É muitas vezes cavernoso
E tantas outras irritante.
E se a gente se encontrar
No não-ser que o amor é?
A gente enxerga como der
A beleza que ele tem.
O amor mesmo dá seu jeito:
Com a gente junto ele fica lindo,
Ainda que tão imperfeito.

Um a mais

Enquanto eu grito
- em pensamento -
E você não me ouve
Vou gastando meu tormento
Nesses versos-pra-ninguém

É meu poema-pra-nada:
Chega a lugar nenhum,
Cheira a alma lavada

Serve pra coisa nenhuma,
Desperdício de rimada.

É só pra eu não esquecer
Que eu sou a própria poesia
E você nunca enxergou isso.

Te convidei pra minha travessia
- e insisti pra que ficasse -
Você não quis.

Só vejo covardia nas palavras que me diz.

Atravesso a travessia
- que quase nunca foi só minha -
Agora sozinha,

Entre os carros e os sinais.
E aí percebo que você
Foi apenas um a mais.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

As (m)águas de fevereiro

As águas de março se anteciparam
Como (m)águas de fevereiro:
Lavando, arrancando tudo
Inclusive a alegria do peito

Minha alma é triste agora
E Agora'é coisa que apavora:
Ou me levas pro Passado,
Ou pro Futuro afora.

As dores dessas águas
Um dia valerão:
Farão brotar sementes novas
Neste tolo coração.

Sei que quero o sol brilhante
Secando as águas do meu rosto.
Quero amar com pura entrega,
Quero viver nenhum desgosto.

Baby, I need a Time Machine

Alguém me tira dessa caixa
- sufocante prisão do Agora -
Me leva embora pro Antes
Porque o coração chora
De arrependimento e dor.
Alguém me dá uma máquina
Que volta e apaga
Que vem e te alaga
De lucidez e amor.
Alguém diz que tá tudo bem
Que errar me dá um vintém
De aprendizado e sabedoria.
Mas por que desse jeito,
Tendo ódio do já feito?
Alguém me dá uma poção
Pra torná-lo desfeito?
Quero a volta no Passado
E consertar o passo errado
Que me trouxe até aqui.
Alguém me leva pro Depois
Que essa parte eu não entendi:
Algo ainda faz sentido?
Ainda dá pra eu ser feliz?

Adubo

Joga a merda no ar
No chão, na cara do amor
Na porra do ventilador
Joga que vai ser bom
A merda no chão aduba...
Não pensa nem estuda,
Só joga, vai!
Joga pra cima e pro lado
Limpa a sujeira do telhado
Tira a merda toda
Se alguém repara, que se foda!
A merda no chão floresce...
Joga a merda e esquece!
O que jogou tá jogado
Não chora pelo estrume derramado.
Espera o jardim acontecer...
Se prepara prum outro amanhecer
Onde outras merdas virão
E um dia adubarão
O novo terreno do seu ser!

sábado, 21 de outubro de 2017

Ego

Eu
No centro das luzes
Procurando a minha
Através da sua
Como uma lanterna
Que ilumina o dentro

Eu
No centro do mundo
No cerne do assunto
Na descoberta mais íntima
E ela é só minha

Eu
O farol-guia
O ponto final
Ou a decisão da vírgula
A frase mais torta
E mais perfeita

Eu
Te uso pra me achar
Te tenho como espelho
Ando na sua rota
Pra cair na minha
Mas não, não é você.
Desculpa a honestidade.
Sou eu.

Eu
Que irradio o Nada
Eu sou a parada
E a ininterrupção.
Loopings e loopings de mim:
Círculos confusos
Da identidade

Eu:
A importância e a irrelevância,
A arrogância e a ignorância
Sobre mim mesma.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Grude

Tô louca pra fazer
Uns versos pra você
Que já virou meu universo
Já descobriu o meu inverso
Que já é as coisas que leio 
E faz parte das que anseio
Que já é a minha playlist
E a pessoa mais legal que existe.
Nossos astros se cruzaram
E eu nunca mais fiquei triste!
Tô louca pra dizer -
se me permite -
Que o meu coração já insiste
Em escrever pra você -
mais e mais e mais!
Agora ature minha cafonice.
Nem adianta voltar atrás.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

A flor do frio

As faltas, o frio
As falhas e o vazio
A desistência
A consciência
A ausência de magia.
O meu coração trancado
O seu coração culpado
O aumento da agonia.
Saudade ou nostalgia?

Tudo me acelera
Me anseia
Me entristece

E na espera
A poesia
Floresce.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Des coberta

Você me pergunta
Se eu te odeio
Ou se pergunta
Se eu tô chateada
E me pede pra botar freio
Nessa alma apaixonada
Eu só digo, sem receio,
Que não tô acostumada...
Comigo é sempre Tudo,
Nunca Nada!
Aqui dentro é sempre cheio
E de forma acelerada

Tento a calma, que Tudo passa.
É uma questão de adaptação.
Essa pulsação escassa
É descanso pro coração

Mas o vazio me embaraça,
Me põe na contramão...
Você não vê que perde a graça
Quando a gente não sai do chão?