Sopa de letrinhas

Sopa de letrinhas

sábado, 3 de junho de 2017

Não-eu

Eu-bicho:
Troca-troca de nicho,
Migração espontânea.
Alma cigana,
Vida-cigarra:
Canta e morre.
Alma que agarra,
Corpo de garras.

Eu-rio:
Troca-troca de águas,
Corrente de mágoas.
Condutor de barcos,
Contador de histórias.
Alma levada
Cara lavada
Dorso profundo.
Dor só afunda
Se não é transbordada.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Presente

Me encontra ali, na Entrega.
Não sei de onde você vem
Nem pra onde a gente vai
Mas amo esse Presente
Cada vez mais.
No nosso entrelaço,
Os nós eu desfaço:
Te revelo em camadas.
Me livro das armaduras,
Cara e alma lavadas.
Afinamos as vontades,
Refinamos a sintonia,
Afirmamos a Verdade.
Me encontra aqui, no Agora
Onde o amor é prioridade.

terça-feira, 7 de março de 2017

Prazer em vê-lo, Destino

Será
Que tudo o que é
Era pra ser?
Prazer em vê-lo,
Destino.
Sigo seguindo
Seus passos.
Às vezes me atraso...
Sinto que te sinto,
Pouco decido.
Aonde eu tô indo?
Se te vejo,
Almejo;
Deixo fluindo.
Se passas por mim,
Me desespero.
Afinal,
O que é que quero?
Decidas por mim,
Decidido Destino.
Ou será que só és
O que és
Porque te decido?
Se assim for,
Desisto.
Desatino e ando
Sem decisão.
Sou eu quem mando
Em você, então?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Paraíso Astral

Sonhos tão infantis...
Versus
Maturidade concreta.
Cadê as palavras sutis?
Já não preciso ser direta

Fichas caem:
Clareza das coisas que me atraem.
Ganho chaves:
Abrem-se as portas
Que realmente importam...

sábado, 28 de janeiro de 2017

Expurgo

Expurgo
O que não me cabe mais
Pelos poros
Pelos olhos
Pela boca
Como quem queima roupas
Que já não lhe servem

Expurgo
O que não me pertence mais
Pelos punhos
Pela voz
Pelo nariz
Como quem queima cartas
Que já não lhe falam

Expurgo
O que ainda me dói
Pelos olhos
Pelos poros
Pelos punhos
Como quem busca
Amadurecer

Vejo a noite cair,
Vejo o dia amanhecer.

Olho pra dentro e olho o mar.

E nada é maior
Do que o meu olhar.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Cheiro de novo

Entrei num carro Zero
E sinto cheiro de novo!
Vão me levar pra algum lugar
Que eu ainda não tenho ideia
O chofer não tem nome
Nem rosto
Nem rastro
Há no chão.
Parei num marco Zero,
Numa revolução.
De que lado eu fico?
Não é só Mal ou Bem;
Tem muito mais opção
É tanta gente
Eu tento me agarrar a alguém
Minha mente
Mais confusa que a confusão
Alguém me dá a mão
E corre comigo
Por alguma estrada
Como um chofer
De um carro Zero.
Sinto cheiro de novo,
De novo!
Meu corpo é de luz,
Minha alma é de louco.

Tempoespaço

O coração pula
Grita
Se mostra
E nenhuma palavra é posta.

Sinto
Choro
Penso
Se você ainda me gosta

Tudo vai
Vem
Volta
Com a dubiedade de uma aposta

É fim
É começo
É tempo
Que quase me enforca

Sinto

Choro

Engulo
Toda essa dor exposta.