Sopa de letrinhas

Sopa de letrinhas

domingo, 29 de maio de 2011

Duelo

E agora
Que já derramou o meu pranto,
Que já incendiou o meu santo,
Se dá por satisfeito?
Que não seja defeito
Viver na dualidade
Do querer e do temer.
E que todo dito e todo feito
Sejam filhos da Verdade.
Agora Você -
Que jogou com habilidade,
Que dilacerou os fins e os meios -
Me diz se é feio
Sentir saudade.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Tanto Quanto Tudo!

Leio,
Releio,
Não me canso...

Sinto,
Anseio,
Me lanço.
Me freio?
No momento em que veio...
Virei criança!

Estudo,
Tento...
Não entendo.
És Tudo -
me rendo.

E o que desejo
Já não meço:
Ou explode em beijo,
Ou explode em verso.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Shhh...

Shhh...
Não conta o encanto!
Respeita a brincadeira.
Porque uma coisa é verdadeira:

O que te traz pra perto
É o que te faz distante.
Quero a alma mergulhada no incerto
E o coração de um Cavaleiro Errante.

Na medida

Enche tudo até o topo
Preenche com o ar do novo.
Eu, devota do Agora,
Entendo o jogo:
Se não transborda, evapora.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Isso: aquilo que É

Se o sorriso permite,
É feito o convite:
O olhar.
Agora o Algo existe:
É vital.

Se é pra eu ir,
Já tô presente:
Me permito.
A vontade é latente:
O instante, infinito.

E a magia que se cria
É pela Vida que Isso tem.
E Isso é pura fantasia:
É aquilo que convém.

Mas É. Se é, tá evidente -
Não é preciso fazer nada:
Já tá aqui, já tá ali
Tá por dentro e tá envolvente.
Quando eu for, já tô presente:
Digo "sim" ao olhar
Ao sorriso e às palavras.
Palavras que são
Sedutores presentes.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Regorgitofagia

O “conforme o combinado” não combina mais comigo.
O disforme ou deformado já não é mais inimigo.

Que perfeição, que nada!
Ideia de beleza mais quadrada.
Cansei do retoregularformalbonitinho.

Quero me esfregar na sujeira da calçada
Na lambança do humano
Quero o cheiro suburbano
E a carne mal passada.
Quero o visceral quase profano
E a lucidez embriagada.
Quero a ação despudorada,
a forma mais ousada,
a linha entortada,
a nojeira instalada,

a coisa desconfigurada.
Quero a impureza misturada
E a vida improvisada.
Quero vida! Vida no limite da vida -
intensa, insana e enfeiada.
Quero a merda pra poder fertilizar...

E, assim, encontrar,
Na foto embaçada
Na voz desafinada
Na poesia mal rimada
O belo...
A arte enraizada!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Pose

Minto que não vejo,
Omito o que desejo:
Adoro um falso alarme
Só pra fazer um charme...

Se te mostro ser razão,
É que controlo a situação.
Meu tom é duvidoso e fino
E tu te tornas um menino.

Atenta ao que me motiva,
Sou sagaz e implosiva.
Faço gosto do mistério.
Meu faz de conta é super sério.

É nesse joguinho instigante
Que há paixão irradiante.
E se achas que sou madura,
Tu és tolice pura:

Sou uma criança malvada!
O resto todo é só fachada.
Te confundo por querer
Só pra ficar no poder...